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quarta-feira, 20 de maio de 2015

ODE À HÓSTIA





Sol branco de trigo e paz
iluminando o universo interior
Floresces no céu da boca
com gosto de mistério e de milagre
Como Agostinho em Óstia
dividido entre o amor sensual e o espiritual
dissolves-me o parco entendimento
e sinto o amor com a essência do ente amado
Menino ávido de aurora e luz
elevado nessa pura lei da gravidade
oferto os lábios à seara diária E floresço:
trigal de Deus hóspede do divino
Cada ceia acorda a sagrada família interior
e renasço em mim multiplicado em pães e peixes
Brasas ardentes povoam-me o coração!
Que o sol que me desce às entranhas
sarça branca fogo imaculado
é o próprio cordeiro transplantado
síntese solar da mais pura alquimia
que converte em ouro tudo o que era chumbo
e faz do humano a passagem para o sagrado









Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 1, p. 401



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A GEMA DO OVO





Um ovo estrelado
na manteiga real
não é um fato banal


Pode ser surreal:
o Imperador Amarelo
mendigando um terno


Pode ser sexual:
uma galinha sem recato
ofertando-se no atacado


Pode ser desacato:
um galo desmamado
na aurora do prato


Pode ser até besteirol:
o rei do colesterol
afogado no sal


Um ovo estrelado
na manteiga real
é excepcional


se percebemos o recado:
está em tudo a luz do sol
No todo no velho no ovo


Na quadratura do círculo
o sol quadrado no prato
é a claridade do resultado






Luis Augusto Cassas