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segunda-feira, 2 de março de 2015

O POETA ANIVERSARIA



FELIZ ANIVERSÁRIO, POETA!

Hoje é aniversário do nosso grande poeta Luís Augusto Cassas. 
Um poeta transcendente, cujos versos servem a uma causa maior. A poesia de sua natureza pisciana nos faz nadar em mares alquímicos, mergulhar em abismos profundos e navegar no oceano sagrado da fé. 
Nasceu para ser poeta, sua missão nesta vida. Profetiza a  beleza e a profundidade pelas palavras, que se amalgamam em universo próprio,  um verdadeiro cosmos poético. 
Deixo aqui, então, essa pequena homenagem, em nome de seus leitores, com votos de um Feliz Aniversário. Muita saúde, paz, alegria e, sobretudo, inspiração, para continuar derramando sobre o papel sabedoria e beleza, sua marca registrada de transcendência. 




Cosmos Poético

                                                                                      para Luís Augusto Cassas
  

Herança sideral
do Universo,
tua poesia 
é sinfonia de palavras
regendo a música
sagrada das esferas,
metáfora dos astros
que orbitam teus olhos.
Obediente à analogia
dos movimentos,
tua poesia 
guia a rotação 
dos corpos semânticos,
habitados nas estrofes
de significado infinito.
O ritmo cíclico
da transcendência,
tua poesia 
possui,
nela eclodem rimas
que revelam a eufonia
das luzes,
numa dança poética
de estrelas.






Elizabeth F. de Oliveira








quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O ANJO EXTERMINADOR




poeta é quem estilhaça
horizontes
dinamitando (atrás de si)
as pontes



e inaugura  beleza
nos cataclismos
colhendo a pura rosa
dos abismos








Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 451






terça-feira, 16 de setembro de 2014

O POETA GENIAL (Retrato do Artista Quando Jovem)



Retrato de James Joyce



Cansei de ser genial:
neon nos letreiros da Broadway
verbete da Enciclopédia Britânica
autógrafos nas coxas de princesas


Uma equipe de televisão espoca o flash
para o que vem a ser um poema inédito
Sou mais popular que Shakespeare e Lennon
e meu rosto está na Praça da Paz Celestial


Poemas dito-os em sânscrito e grego
Miséria é tema de que se ocupam os medíocres
Rimbaud ruboriza em sua estátua
Ah! Baudelaire! Como são venusianas essas francesas!


Cansei de ser selo comemorativo:
entediam-me os títulos de honoris causa!
Irrita-me o assédio das estrelas de cinema!
Nobel é prêmio para flagelados do ego e pincipiantes


Pra inspirar-me prefiro as paisagens italianas
a bordo dos transatlânticos e mulheres puro-sangue
Como Dalí meu cocô é branco como a pulcritude
e os excrementos vendidos a peso de outro na Sotheby's


Sou apenas o orgulho da raça
A quintessência da Poesia!
A última revelação da Beleza!
Olha aí Blake: o dedo de Deus


Quando encerrar meus 15 minutos de glória
regressarei a São Luis numa carruagem de água negra
Lá tenho as mulheres que quero
na praia que escolherei








Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol.1, p. 340



segunda-feira, 11 de agosto de 2014

PENSÃO



Habitam comigo há anos
no quarto escuro de mim
dividindo aluguel
destas trinta e três vértebras
(usando o mesmo banheiro
prato talher e cadeira
palitando os seus molares
logo após a sobremesa)
um estudante de Letras;
um boêmio que recita
Lorca; um funcionário público
que sofre dores nos rins;
um cozinheiro que frita
ovos às três da manhã;
um advogado que no fórum
advoga o imundo do mundo;
um conquistador barato
sem lábia e brilhantina;
e um poeta de esquina
que por vergonha do ofício
não quer se ver declamado
em reuniões sociais







Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol.1, p.65



segunda-feira, 30 de junho de 2014

TELEMO




minha felicidade
viver nos extremos
nem mais nem menos
dinamitar os dois lados
viver além tempo-espaço


ôntico trabalho: ser turiferário
atravessar a cauda do dragão
memória kármica em leão
até a cabeça do dragão
onde fluem as centelhas de aquário


no fio da navalha
ou nos buracos da agulha
aprendi segredos: sol-lua:
enqto. o cérebro julga e pensa
o coração não se manifesta


potência da busca
montanha russa
carbono e culpa
meninges em alarme
efeito estufa


após degustar todos os sabores
e neutralizar o círculo dos humores
aprendi o segredo do pós-leve:
arquivei o estilo kamikaze
tornou-se-me a vida gessy-lever


enfim o caminho do meio 
de um poeta
que comeu o prato cheio
devorando pelas partes
o inteiro





Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 205

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

SAUDAÇÃO AO LEITOR




namastê
que bom te ver
o poeta que mora em mim
saúda o poeta que mora em você







Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vols. 1 e 2
Foto de Ana Carolina Cassas



sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A LINHA DO HORIZONTE




                       Poetas nunca alcançam o céu.

São constelação de pássaros, pétalas de nuvens,
gravitando entre o previsto e o insondável.
São lua cheia recebendo a luz do sol.
O acaso e o inesperado são a sua sina.
Quanto mais se elevam em direção ao céu,
as asas batem de retorno ao ninho.
                      Poetas nunca estão na terra.
                      Sobra-lhes o céu às cabeças.
                      Falta-lhes o chão aos pés.
Os pensamentos são raízes de nuvens.
Seu caminho é o vento. Seu endereço é o coração.
Beleza e tragédia, eis seus companheiros de viagem.
Amados ou esquecidos, sublimes ou desterrados,
poetas vivem apenas o seu destino.







Luís Augusto Cassas


In Liturgia da Paixão, p. 187