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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O ANJO EXTERMINADOR




poeta é quem estilhaça
horizontes
dinamitando (atrás de si)
as pontes



e inaugura  beleza
nos cataclismos
colhendo a pura rosa
dos abismos








Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 451






segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O GUARÁ




sou filho do sol:
cinza nasço
adolesço rosa
vermelho despetalo


em horas azuis
tinjo púrpura o espaço
esponsal do bispo
enxovais consagro


voando à beira-mar
solto belas plumas
floro sem cessar
homenageio as dunas


ao mundo não vim
pra adorno do colar
nem posar de souvenir
meu reino? brilhar


diálogo das espécies:
voo à imagem e semelhança
mas mantenho distância
a violentos e  répteis


confesso: vivi-me em flor
entre céus e crustáceos
mas a luz do equador
foi o melhor repasto


recado ornitológico
aos homens e seus brocardos:
não sejam antro mas lógicos
em seu esplendor antropológico


admirem-me me sossego
brinquem com o próprio medo
exibam suas penas
jamais minhas plumas








Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 412



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A FÊNIX





vai luz
segue pela sombra
acrescenta 
o que me falta
diminui
o que me excede
até encontrar
no fonte que me bebe
a rosa
que perfuma e inflama
o pássaro
que morre
e me levanta




Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol.2, p. 565



quarta-feira, 27 de novembro de 2013

CASABLANCA







Humphrey Bogart tropical
defensor da nobre causa da paixão
rosa amarela na lapela
duas taças: uma na mão
                  outra no coração
abandono o truísmo de perder o amor
pelo altruísmo de vivê-lo
é a última hora do voo
altero o infeliz roteiro
derramo a taça da mão
na taça do coração
apago o cigarro nos dedos
acendo um beijo com o isqueiro
os lábios dela tocam A Merselhesa
e despacho o marido solitário
são e calvo
no último avião





Luís Augusto Cassas
In Liturgia da Paixão, p. 42



quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A ROSA






Sempre fui vulcão & mar sem salmo
água benta & bala de canhão
coquetel molotov & beijo de abismo
olho ametista & pesadelo de plutão

Sempre fui incesto & transcendência
nuvem-kamikaze & guerrilheiro provençal
dinamite-split & caos de quintessência
libriano Romeu & incendiário Parsifal

Em mim a água se fez fogo de luxúria
A terra transfigurou-se em vendaval
O ar fugiu pros quintos da Manchúria
e o éter desembarcou no diet-Caos

Sempre fui colibri & cataclismo
eneagrama do enigma & cacos de Berlim
O 5o. Cavaleiro do Eclipse
o espinho espetando a rosa em mim



Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 236