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sexta-feira, 10 de abril de 2015

ALEGRIA: PRINCÍPIOS E MÉTODOS DE TRATAMENTO*







contra a depressão
e a fúria dos dias
Alegria


fadiga espiritual
tediário
sessão-nostalgia
Alegria


cortar mau-olhado
abrir caminhos fechados
proteção da virgem maria
Alegria


ferrugem do ser
angústia de heidegger
falsas profecias
Alegria


existencialice crônica
tragédias cômicas
hora agônica
Alegria


flatulência
males do bolso
onipotência
Alegria


egoísmo coletivo
busca de sentido
ódio radioativo
Alegria


ó alegria:
servi-vos do arroz de aletria!
estrela-guia da utopia
Alegria


p/ todas as patologias
Alegria
p/ os efeitos colaterais da alegria
Alegria
contra a alegria
Alegria






Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol 2, p. 208





[*] Para curar  o  ser pela  raiz,  o  leitor pode utilizar  a potenciação homeopática hahnemanniana na escala de 1 para 100 até o infinito.





sexta-feira, 22 de agosto de 2014

T (O FILHO PRÓDIGO: UM POEMA DE LUZ E SOMBRA)





Órfão de mim e sozinho
então tomei meu menino
apertei-o contra o peito
lambuzei-lhe par de beijos
cabelos acariciei-os
ombro a ombro embalei-o 
(arco-íris expulsando escombros
irrompendo à terra o veio)
desfiz-lhe o nó na garganta
cera lavei-lhe dos olhos
acendi-lhe o sol no seio
sequei-lhe a fonte de mágoa
clamando à dor o despejo
sob proteção dos afagos
dissolvi-lhe o sal amargo
sentindo que a frágil criança
transformava-se contrafeito
não em embevecido infante
mas em ancião satisfeito
aquele que em densa névoa
ressuscitou-me do leito
encaixando-me as suas pernas
para um caminho refeito
amparando as minhas quedas
guiando-me a novo berço
Como não ouvir o estampido
de dois peitos comprimidos
boi e bezerro em mil lambidos
derramando os seus vagidos?
O velho e o menino
o menino e o velho
cumprem o seu destino
nos mesmos artelhos
Abraçado à velha árvore
senti no tronco o temor
novos ritos de passagem
antecipação da flor
Descascando velhas mágoas
de enclausuradas cebolas
serpentes tornadas lágrimas
transmutam-se em alvas rolas
Do pranto meu lave o Rei
os pés feridos em alcatrazes:
Pai não te deixarei
enquanto não me abençoares
Ó horas de viver
ó horas de morrer
conciliou-me o ser:
morrer e renascer
Já não sou eu quem vive
é o pai que em mim revive
Já não sou mais eu quem chora
é o pai que em mim ora


( - faz a suma correção
inverte a inércia em ação:
nove meses no mundo
três meses no fundo

sê mensageiro do verde
refloresce a tua família
sê como filho à tua filha
a todos abastece a sede

ulisses em retorno à ilha
recupera a alta magia
torna as feridas em espigas
junta ao trabalho a alegria

ergue-te ó fênix das sobras
planta o sol em tua casa
concedo-te poder  e honra
pra concluíres tua obra)








Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 398