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quarta-feira, 18 de junho de 2014

O ROSÁRIO


                                                                                                           aos cantores liricos e amigos 
                                                                                                                        Carol e Victor Vieira


o rosário é uma manopla
máquina de triturar
a queixos infiéis soca
e o chão em logo beijar


o rosário é o grão-chicote
vergastando o calcanhar
mil e quinhentos mascates
do templo vai expulsar


o rosário é uma rede
repatriando céu e mar
pra que os peixes com sede
a todos venham saciar


o rosário é uma árvore
enlouquecida de amar
atraindo à sua nave
o homem o sol e a lua


o rosário é um trem de almas
ajoelhado nos trilhos
percorrendo em angústia e calma
a salvação dos seus filhos


o rosário é um terrorista
recrutado no shabat
treinando em fé e alegria
pro coração resgatar


o rosário é um parabélum
acendendo a luz no eterno
é a canção do violoncelo
lavando o fogo do inferno


é punhal e fina adaga
de salomônico fio
é molotov e granada
lançando aos ares o exílio


é também laço e corda
ligando o poente ao nascente
e nos círculos em cruz borda
a ponte entre o ser e o ente






Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol.2, p. 526


quarta-feira, 21 de maio de 2014

A PROFUNDIDADE E A ALTURA




queres a suprema loucura
de galgar aos céus a altura?
lança-te correnteza abaixo
mergulha no íntimo riacho
desce à raiz do cataclismo
beija as mil faces do abismo
entre o túmulo e o tumulto
guarda as horas do escorbuto
deposita o ego: este porco
na habitação dos mortos
proclama-lhe dia de festas
consagra-lhes finas exéquias
resgatado ao céu o dízimo
implora ao alto o espírito
e oferta-te em sacrifício
pela graça de estar vivo
no dia do tempo e do vento
descerá do trono e templo
descruzar-te-á os braços
elevando-o ao seu afago
com o seu fogo consolador
lavará o hades interior
em seus rios de água-viva
irás à terra prometida
despido da glória vã
verás a estrela da manhã







Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 538