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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

GOLDEN MEDITATION




Sou denso e sutil moderno e eterno
Sou livre de toda impureza
sagrado imortal refulgente
Servir a todos é a minha verdade cósmica
Sou inércia atividade e equilíbrio
Pra refrear a cobiça e a ignorância
escondo-me no subsolo da terra
Sou raio solar materializado
e não poeria radioativa do universo
Servir-me é fazer-me escravo
Circular-me é fazer-me senhor
Se a nobreza é atributo da alma
por que empresto brilho a quem  me detém?
Se não ascendo a nenhum valor moral
por que a muitos concedo credibilidade?
Se sou energia condensada solar
por que de muitos obscureço a consciência?
Quem confunde essência a aparência
é que me atribui valor irreal
Paradoxo da sabedoria oculta
quem muito guarda menos me possui
Quando se dissipar a ilusão dos homens
conceder-me-ão merecido valor
Pobre será aquele que avaro me retém
Rico será o que me tem pra ofertar







Luís Augusto Cassa
In A Poesia Sou Eu, vol. 1, p. 282




quarta-feira, 25 de junho de 2014

PONTOS DE ACUPUNTURA




aqui onde passa o meridiano do coração
 outrora foi o Mar da China
5.000 arqueiros de armaduras reluzentes como o sol
lançavam incendiárias flechas atonais de suas flautas
para saudar o equinócio de pérolas da Dinastia T’ang
mas o crisântemo desarmonizou-se com a nota kung
 e os lótus se afogaram na décima primeira lua



descíamos a vau para as montanhas tibetanas de Kung Lu
onde o céu e a terra engendram as dez mil coisas
rompendo o Portão do Inferno e o Portão da Nuvem
 para a conferência anual das quatro estações
em que os ancestrais se reúnem próximo
 à cortina do bambu de seda
e o verão descansa a cabeça no travesseiro de jade
para ouvir a sutra da palavra tranquila



transcorria o Ano da Serpente e era o Hexagrama 58
movimento e repouso em algum lugar do vazio
o Grande Yang e o Pequeno Yin convocaram
para o sacrifício imperial
as artemísias em fogo e os espinhos de metal
 para restabelecer o fluxo das águas na energia da vida
e o Rio Amarelo tornou a fluir nas correntezas das veias
como um peixe que nadasse livre entre musgos e líquenes






Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 1, p. 286