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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Z (O Filho Pródigo: Um Poema de Luz e Sombra)

Cena do filme 'Zorba, o Grego'




Guie-nos a Constelação das Plêiades
envolta em nuvens de narcisos
até o santuário de Apolo
onde dorme o sepulcro de Dionísio


Na máscara mortuária dos deuses
contemplamos o resgate do exílio
Ó sonho eterno:
Tua face dourada
e a minha sombria
formam um só rosto
de ornado mistério


Somos dois
frente à divindade
Pequenos sóis
da mesma verdade


Somos o só
e o mesmo
Somos o próprio
em si mesmo


Que viemos fazer aqui
senão confraternizar
com a vida e o seu longo elixir
no prazer de reencontrar-nos?


Entre tantos semelhantes
façamos o mundo girar
e como Zorba dançar
enquanto escoam os instantes


Eia juntos caminhemos
além do além do além
sob o amor frutifiquemos
aos pés do Supremo Bem!





São Luis
jun/dez/2005





Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 404






sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

AQUA PRO NOBIS





de áries a aquário
em pleno martírio
somos todos peixes
árido santuário
queimando em círios



tudo o que cultivar
o amor e o mar
dirá ao mar: abre-te!
e qual afiado sabre
o amar  se abrirá!



diz-me senhora:
o que te inunda as órbitas
desrepresa os seios
e resseca a flora? 
_ o mar também chora!



da onda da discórdia
darei trégua à mágoa
mas quem blasfemar
contra o reino da água
não terei misericórdia



horas de Urano
lembrai-vos de Sara
fecundou-a  um rio
e irrigou o Saara
de nos infortúnios!



louco stradivarius
tua nota úmida
povoe o relicário:
um aquário sem peixes
não é santuário








Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 270