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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

TAO À MILANESA



Monja Coen


Cassas, Luís Augusto



Vieram lágrimas e sorrisos
escondidos e transparentes
Nas suas palavras lentes
o Caminho se revela
transgredindo a transgressão
Linguagem revoluciona a mente
completa a  oferta da serpente
tentação de seguir em frente


Eu não sei fazer poemas
Eles me fazem
Então leio você e vejo você
Aqui comigo
Conversamos, choramos, rimos


Tudo passa e acontece 
no Zazen
Sentados em aparente silêncio
Ouvimos os tormentos internos
memórias
esquecimentos
relatos de uma existência


Quanto movimento!
Corpo-mente parados
extáticos
tática Zazen
percebendo o imperceptível
vaivém


Lindo você
que reconheço
no Tao à Milanesa


gassho
coen






Monja Coen
Poema Inédito
In A Poesia Sou Eu, vol.2, p. 623








Tao à Milanesa é um dos quatro livros inéditos
da poesia reunida de Luís Augusto Cassas
 A Poesia Sou Eu, vols.  1 e 2




                                            
                       









Monja Coen é professora de monges e leigos  
dentro da tradicional escola Budista Soto Zen 
do Japão  (fundada no Século XIII),  
é atualmente (2009) a presidente do Conselho
Superior  da Comunidade Budista Soto Zenshu
da América do Sul  e líder espiritual do Templo
Busshinji de São Paulo,  aonde ocupa
também a posição de missionária oficial
enviada pela Sede Administrativa do Japão. 


http://www.monjacoen.com.br/





quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O POEMA DA VANGLÓRIA ou DA GLÓRIA VÃ

Teillhard de Chardin

                                                                                                                             a Teillhard de Chardin


Sou impuro Senhor
Nem omo total
lavará a minha alma


A sujeira perene
é minha virtude teologal
É de breu minha paz


Por mais que me esforce
não vislumbro pureza
nas flores do campo


Por mais que tente
só consigo concentrar-me
no umbigo das coisas vãs


Não é difícil de amar
Mas o outro meu Deus o outro
aí é difícil suportar


Bem que o outro podia ser céu
ponte aérea do bem asa de anjo
néctar do azul sorriso da estrela


Mas quando penetro em seu território
o humor sangra seus alicates
o inferno arma o lança-chamas


Minha coroa de espinhos
é amar o próximo
ainda que distante


Crucifica o próximo Senhor
Crucifica-me junto com o outro
pra ver se o suporto no paraíso








Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol.1, p. 421



quarta-feira, 28 de maio de 2014

UM POSTER CONTRA A POSTERIDADE


                                                 

menino da etiópia
armado até os dentes
 costelas como fuzis


se tua mãe visse
o teu sorriso amarelo
 menino da etiópia
diria (entredentes):
 menino jesus de praga
cinco chagas de cristo


se marx visse
o teu sorriso amarelo
 menino da etiópia
diria (extradentes):
sol do ouro roubado
pelos irmãos metralha
para a dentadura de reagan


menino da etiópia
que superpoderes do mal
há em teu sorriso amarelo
pra mandarem (tira-dentes)
até a sexta frota naval?


tão fraco fraco fraco
como o cordão do sapato
de flash gordon
tão fraco fraco fraco
que até o flash
da máquina fotográfica
que filmou teu último ato
 ato ato ato
te faz explodir





Luís Augusto Cassas