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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

BOLETIM METEOROLÓGICO-SENTIMENTAL DE 25 DE DEZEMBRO





Tempo bom
temperatura estável
em quase todos os corações
Visibilidade ampla:
nas vitrines das lojas
nos vitrais das casas
nos para-brisas dos carros
nas lentes dos óculos



Temperatura em franca elevação
no São Francisco e em outros bairros da cidade
O champanha francês servido a 12 graus
o uísque escocês sorvido a 43 graus
o peru assado a 150 graus
Foguetes e risos explodindo/nozes
e abraços repartidos/
(Euforia subindo no termômetro
em níveis não registrados)



Temperatura agora em declínio
com lufadas de ventos frios
vindos das bandas da baía de São Marcos



O menor abandonado que dormiu
na manjedoura do banco da Praça Pedro II
passeia miséria e tristeza pela Rua Grande



Vê manequins vestidos/brinquedos eletrônicos/
e sente que seu Cristo não nascerá jamais
(Ele está crucificado na Igreja do Carmo)



Temperatura baixando
Nuvens espessas se formando
nos olhos do menino



Temperatura caindo ainda mais



Em São Luís do Maranhão
está chovendo






Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 1, p. 113



Praça Maria Aragão
São Luis - MA






segunda-feira, 9 de junho de 2014

A BUSCA DO MITO (pintando quadros)







1
não serás jeanne
hébuterne
hôpital de la 
charité
voando            pela janela
até                   modi


nem clara
de assis


nem eu
francisco
(casados em espírito
devotos do serviço)


nem
penélope
tecendo luas
ao retorno
de ulisses


nem gala
(dólar)
aguardando
dali: seu sonho
de consumo
(no lar)


nem
frida khalo
ao seu encalorado
diego:
"_ pés para que vos quero
se não tenho asas para voar?"



2
dois loucos
numa noite suja de anima
lavando do karma a hybris



dois corações

apaixonados
brincando como leões no circo


duas ovelhas negras
clamando por pureza
numa selva de vínculos


o magnetismo do amor
arremessávamo-nos ao infinito
mas em nós espiava o bicho



3
ainda que caminhasses
pelas sendas da agonia
e o hades atravessasses
te faria companhia


seria o novo
em tua colmeia
seria teu povo
tu minha rainha


mas na noite escura
da nossa humana loucura
incomodamos Deus
em sua ventura



4
por mais que calemos
o grito
somos
o mito inconcluído
                        o submito
                        q fugiu no
elevador de serviço
e mora -  golen
romântico - entranhado
nas paredes do prédio
recendendo a saudade
                      e lixo


(aprendemos humildes
a lição do espírito:
arrependamo-nos do equívoco
repensemos nosso arbítrio)



5
somos a letra perdida
do alfabeto hebraico
talvez reencontrada
em novo sonho arcaico


somos o vaso alquímico
que não suportou o segredo
e ao fabricar o ícone
fugiu a luz entre os dedos


tua teologia negativa
cortou-me a cabeça da hidra
mas reconciliei-te com eva:
o coração de maria


a lua apagou o seu alfange
o sol rompeu nos mirantes
em nome do amor perdoemo-nos
o que foi demais não sendo



6
alma gêmea
alma fêmea
paiol de lenha


pelas caligrafias
do infinito
caminhemos


rumo
a novas constelações
e oceanos


sê o último portal
além do bem e do mal
até o amor real







Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 355




terça-feira, 22 de abril de 2014

A BUSCA DO MITO (pintando quadros)





1
não serás jeanne
hébuterne
hôpital de la
charité
voando          pela janela
até                 modi

nem clara
de assis

nem eu 
francisco
(casados em espírito
devotos pelo serviço)

nem
penélope
tecendo luas
ao retorno
de ulisses

nem gala
(dólar)
aguardando
dalí: seu sonho
de consumo
(no lar)

nem 
frida khalo
ao seu encaracolado
diego:
"_ pés pra que vos quero
se não tenho asas para voar?"


2
dois loucos
numa noite suja de anima
lavando do karma a hybris

dois corações
apaixonados
brincando como leões no circo

duas ovelhas negras
clamando por pureza
numa selva de vínculos

o magnetismo do amor
arremessávamo-nos ao infinito
mas em nós espiava o bicho


3
ainda que caminhasses
pelas sendas da agonia
e o hades atravessasses
te faria companhia

seria o novo
em tua colmeia
seria teu povo
tu minha rainha

mas na noite escura
da nossa humana loucura
incomodados Deus
em sua ventura


4
por mais que calemos
o grito
somos
o mito inconcluído
                      o submito
                      q fugiu no
elevador de serviço
e mora - golen
romântico - entranhado
nas paredes do prédio
recendendo a saudade
                      e lixo

(aprendamos humildes
a lição do espírito:
arrependamo-nos do equívoco
repensemos nosso arbítrio)


5
somos a letra perdida
do alfabeto hebraico
talvez reencontrada
em novo sonho arcaico

somos o vaso alquímico
que não suportou o segredo
e ao fabricar o ícone
fugiu a luz entre os dedos

tua teologia negativa
cortou-me a cabeça da hidra
mas reconciliei-te com eva:
o coração de maria

a lua apagou o seu alfanje
o sol rompeu nos mirantes
em nome do amor perdoemo-nos
o que foi demais não sendo


6
alma gêmea
alma fêmea
paiol de lenha

pelas caligrafias 
do infinito
caminhemos

rumo 
a novas constelações 
e oceanos

sê o último portal
além do bem e do mal
até o amor real





Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 355