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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O VAZIO





O vazio está no presente Jamais no passado Nunca no futuro
É um presente do presente


Vazias possibilidades: o amor chegar; a esperança passar
a noite; a autoestima permanecer em férias; a serenidade
relaxar; o desapego florir


Vazio é o espaço para o mistério passear e fazer
o seu trabalho


É o lugar que preparamos para o infinito vir cear
com o finito


É a antessala do divino; o altar da paz; o trono da plenitude;
o jardim da humildade; o fluxo do Eu-Sou


Vazio é o território do amor de Deus; da sabedoria de Deus;
da saúde de Deus; da harmonia de Deus; da alegria
de Deus em nós


Descerremos as cortinas Façamos silêncio
Limpemos a casa
Aceitemos a coragem e o temor
Chegue o vento
e instale o seu show








Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 560



segunda-feira, 24 de novembro de 2014

OFÍCIO CÓSMICO





desde a cruz do início
atraíste-me ao círculo
teu divino ofício


foste/és meu solstício
ciência e abismo
sol flor dentifrício


planeta em comício
ferido no infinito
eis-me a teu serviço


pregado em martírio
na láctea via crucis
sou o teu crucifixo









Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2




terça-feira, 22 de abril de 2014

A BUSCA DO MITO (pintando quadros)





1
não serás jeanne
hébuterne
hôpital de la
charité
voando          pela janela
até                 modi

nem clara
de assis

nem eu 
francisco
(casados em espírito
devotos pelo serviço)

nem
penélope
tecendo luas
ao retorno
de ulisses

nem gala
(dólar)
aguardando
dalí: seu sonho
de consumo
(no lar)

nem 
frida khalo
ao seu encaracolado
diego:
"_ pés pra que vos quero
se não tenho asas para voar?"


2
dois loucos
numa noite suja de anima
lavando do karma a hybris

dois corações
apaixonados
brincando como leões no circo

duas ovelhas negras
clamando por pureza
numa selva de vínculos

o magnetismo do amor
arremessávamo-nos ao infinito
mas em nós espiava o bicho


3
ainda que caminhasses
pelas sendas da agonia
e o hades atravessasses
te faria companhia

seria o novo
em tua colmeia
seria teu povo
tu minha rainha

mas na noite escura
da nossa humana loucura
incomodados Deus
em sua ventura


4
por mais que calemos
o grito
somos
o mito inconcluído
                      o submito
                      q fugiu no
elevador de serviço
e mora - golen
romântico - entranhado
nas paredes do prédio
recendendo a saudade
                      e lixo

(aprendamos humildes
a lição do espírito:
arrependamo-nos do equívoco
repensemos nosso arbítrio)


5
somos a letra perdida
do alfabeto hebraico
talvez reencontrada
em novo sonho arcaico

somos o vaso alquímico
que não suportou o segredo
e ao fabricar o ícone
fugiu a luz entre os dedos

tua teologia negativa
cortou-me a cabeça da hidra
mas reconciliei-te com eva:
o coração de maria

a lua apagou o seu alfanje
o sol rompeu nos mirantes
em nome do amor perdoemo-nos
o que foi demais não sendo


6
alma gêmea
alma fêmea
paiol de lenha

pelas caligrafias 
do infinito
caminhemos

rumo 
a novas constelações 
e oceanos

sê o último portal
além do bem e do mal
até o amor real





Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 355




quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O ABRAÇO







amigos tornai-vos pássaros
gravitai no puro espírito
acolhei em vossos braços
o humano e o infinito

não vos assemelheis às estátuas
dossel de frio granito
libertai vossas espáduas
restaurai o movimento

não vos convido a espantalhos
inútil afeto sem círculo
nem a cabides - secos galhos -
deixai fluir o sentimento

amigos não sejais fracos
abri o peito ao absoluto
descruzados os vossos braços
caberá a todo e a tudo




Luís Augusto Cassas
In A Poesia Sou Eu, vol. 2, p. 521


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O AMOR






somos um livro


está tudo escrito
no dna do espírito
nas cartas astrológicas
nos meridianos dos corpos
na íris dos olhos
no alfabeto do infinito


nosso contrato de risco
é escapar do inaudito
(as garras do hipogrifo)
e escrever c/ fogo e luz
no espaço em branco dos capítulos
o nosso mito





Luís Augusto Cassas
In A Mulher que Matou Ana Paula Usher, p. 89